terça-feira , agosto 22 2017
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Brasileiras rompem machismo na matemática e disputam Olimpíada europeia

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Jamile, Júlia, Ana Karoline (vice-líder da equipe) e Mariana (da esq. para dir.)

As jovens Jamile Falcão Rebouças, Júlia Perdigão Saltiel, Juliana Carvalho de Souza e Mariana Bigolin Groff serão as primeiras representantes do Brasil na European Girls’ Mathematical Olympiad (Olimpíada Europeia de Matemática para garotas, em tradução livre), que será disputada em Zurique, na Suíça, entre 6 e 12 de abril. As aprovadas foram anunciadas durante a cerimônia de premiação dos medalhistas da OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática), no último sábado (28).

“Estou muito empolgada. Não estou acreditando até agora. Acho muito bom [ter] essa olimpíada para meninas porque a gente vai se a 1ª equipe do Brasil a ir. Vou me esforçar bastante. Quero trazer a medalha de ouro para o Brasil”, disse Juliana, 16, que mora em Igarapé (MG), região metropolitana de Belo Horizonte.

Para ela, a conquista pode servir de espelho para outras jovens. Além disso, ela acredita que é um incentivo para mudar o cenário predominantemente masculino no universo da matemática.

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Juliana é aluna de escola pública e já conquistou mais de 10 medalhas

“Antes eu não via nenhum problema. Achava que era normal mesmo ter muito mais menino na matemática. Mas fui percebendo que ia muito além disso. É toda uma cultura machista de que as meninas têm mais dificuldades em matemática. Também algumas não podem estudar porque têm que ajudar em casa e acaba prejudicando o desempenho nos estudos”, afirmou.
“Isso desencoraja mesmo as meninas. E não é só matemática. Outras ciências também. Não é que elas têm menos capacidade, vai muito além”, acrescentou.

O time das estudantes será liderado por Edmilson Motta, coordenador acadêmico da OBM, e vice-liderado por Ana Karoline Borges Carneiro, estudante de engenharia no IME (Instituto de Matemática e Estatística) da Universidade de São Paulo. A jovem reúne medalhas na OBM (2011 a 2014 e 2016) e participação em competições internacionais como a Ibero-americana de Matemática (2014) e Ibero-americana de Matemática Universitária (2016).

Deusa da matemática

Mesmo sendo medalhista de competições escolares, Juliana não se considera “gênio” da matemática. Segundo ela, tudo faz parte de esforço e dedicação.

A jovem estudou a vida toda em escolas públicas e, atualmente, está matriculada no segundo ano do ensino médio no Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais).

Ela conta que desde o 6º ano do ensino fundamental participa de competições escolares e já acumulou três medalhas na OBM (uma de prata e duas de bronze), cinco na Obmep (dois ouros, duas pratas e uma de bronze) e duas na Olimpíada Mineira de Matemática.

“Quando comecei a aprender matemática, era uma pessoa meio lenta, mas depois que aprendi mesmo eu consegui resolver problemas com mais facilidade. Amo a matemática. Minha família brinca que sou uma deusa da matemática. Estou muito empolgada, mas estou com medo das equipes da China, das russas”, brincou.

Para o futuro, a jovem sonha em fazer faculdade de engenharia aeroespacial ou ciência da computação. “Adoro avião e gosto de programar. Vou tentar faculdade aqui e fora do Brasil. Seria um sonho”, conclui.

Fonte: educacao.uol.com.br

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