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Coluna “Fala Professor” trás texto mostrando a realidade da Educação em RO

Fui convidada pela querida Lu Moraes para estrear a coluna “Fala Professor” no site cujo nome é “Educa Rondônia”.

Pois bem, vou começar pelo nome da página Educa Rondônia, como é educar em Rondônia?

Educar em Rondônia meus amigos é conviver com a indiferença do sistema, com a incompetência do sistema, com negligência de alguns gestores escolares, com a ineficiência da Secretaria de Educação.

JUCELIA

Educar em Rondônia é ouvir promessas de um governo despreparado, sem direcionamento, que inventa uma série de projetos copiados de outros Estados, sem levar em consideração a realidade do Estado de Rondônia. Para bem ilustrar o que estou dizendo vejam o que o governador diz em seus discursos demagogos sobre a educação.

No dia 13/02/2014 os jornais estamparam a seguinte manchete: O governador Confúcio Moura abriu o 1° Encontro Estadual de Gestores Escolares e “puxa orelhas” de professores, mas aponta diretrizes para que a educação melhore no cenário nacional; valorização salarial é uma diretriz”. “Escola boa é aquela em que a equipe é comprometida em educar”. “Não basta apenas incrementar os colégios com aparelhamento eletrônico, condicionador de ar, conforto… Precisamos de professores dedicados com a causa, a educação”, (cobrou Confúcio Moura, ao exemplificar o sucesso dos métodos aplicados na educação pelos países desenvolvidos, como o Canadá, Estados Unidos, Japão, China, Finlândia e outros europeus). “O professor precisa se empenhar mais com a realidade de cada sala de aula”. Tem de ensinar àqueles que nem querem aprender, porque os que querem aprender aprendem de um jeito ou de outro”, argumentou o governador.

Como vemos um discurso vazio, sem direcionamento, e o que chama á atenção são palavras como: 1° Encontro Estadual de Gestores Escolares; valorização salarial é uma diretriz; precisamos de professores dedicados com a causa, a educação”.

Em quatro anos de governo primeiro encontro com os gestores escolares, na questão salarial valorização é uma diretriz. Para compreender o conceito de diretriz é necessário primeiro abordar os conceitos de superfície e de geratriz.

Por definição, uma superfície é o lugar (geométrico) das posições sucessivas que uma linha ocupa quando se move no espaço segundo uma determinada regra ou lei.

À linha cujo movimento gera a superfície chama-se geratriz.

À regra, ou lei, que rege o movimento da geratriz chama-se diretriz.

As linhas podem ser abertas ou fechadas, dependendo da sua diretriz.

No caso em questão essa linha é fechada, uma vez que até hoje o governador não fez a atualização das progressões, e o cumprimento da Lei nº 680/2012 (Lei do Plano de Carreira da Educação).

Nós professores é que devíamos puxar a orelha do governador, pela sua incompetência em nomear secretários para a SEDUC sem preparo e formação nenhuma para gerenciar os problemas que essa pasta apresenta.

O chamado Ensino Integral nas escolas de periferias foi um fiasco, sem infraestrutura: tais como falta de banheiros, refeitórios e espaço físico para ministrar as oficinas, os alunos tendo que se descolarem para igrejas distantes sem condição nenhuma para se ministrar uma aula.

Sem falar nos programas “Mais Educação, SAERO, Projeto Salto pela Fundação Roberto Marinho, correção de fluxo “Se Liga” e “Acelera Brasil” com o Instituto Ayrton Senna”. São projetos feitos sem nenhum critério, apenas para inchar mais as contas da Seduc.

O que revolta é que os mais interessados que são os professores não são chamados para essa discussão simplesmente ficam sabendo pela coordenação pedagógica com uma mensagem bem objetiva “faça e pronto”. E quando falamos na famigerada Formação Continuada, ai sim que vemos o despropósito desse governo.

Colocar a culpa nos professores pela má qualidade da educação é de consenso na política educacional do Brasil, desde o MEC até as Secretarias estudais e municipais.

O que realmente acontece é que a educação está nas mãos de quem não quer um país letrado. Então, nós professores passamos a serem os vilões dessa desordem promovida por “cientistas educacionais”, secretário que nunca entram em sala de aula, governos, prefeitos que não sabem nada da realidade educacional. Segundo “Dalila Andrade Oliveira, a escola, em geral, é orientada a responsabilizar o professor”. Se formos pensar no aspecto mais amplo da gestão educacional, o que essa política hoje de responsabilização dos professores tem feito é promover uma verdadeira corrosão na carreira. Essa ideia de que o professor tem que inventar a sua própria aula é uma das coisas mais sinistras que pode haver. O professor precisa ter uma retaguarda fornecida com o que há de melhor já produzido pela humanidade em termos de material de ensino.

A escola precisa ter autonomia, o currículo tem que ser reestruturado, a recuperação como é feita é uma afronta ao professor e ao aluno, sessenta minutos de aula é um absurdo. Questões como essas não são relevantes para o governo e toda a culpa cai em cima do professor. Somos reféns de um sistema que deseja (somente) números, que quer a aprovação de qualquer forma, custe o que custar para mudar as estatísticas.

Enquanto o governo ficar sonhando com uma educação Made In Finlândia e outros mais e não implantar de fato um projeto educacional coerente e adequado à realidade do nosso estado, com certeza nunca teremos uma educação de qualidade.

 

Professora Jucélia Rozeira Rocha

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