sábado , outubro 21 2017
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PROTEÇÃO E CRESCIMENTO: DO CONTROLE À ENTREGA

  Bruce Lipton, em Biologia da Crença, explica que a célula tem dois movimentos principais: proteção e crescimento.

No primeiro, ela foge de tudo que acredita ameaçar sua existência. No segundo, ela vai ao encontro do que julga propiciar a continuidade da sua vida.
Conforme esse biólogo, esses mecanismos não podem funcionar ao mesmo tempo. Em determinado momento, portanto, a energia da célula só pode ser direcionada ou para se defender ou para crescer.

Por ser o Homem composto de trilhões de células, Lipton defende que esse princípio também acontece em nós.

Diante de um mundo repleto de mistérios, é natural que o Homem tenha medo, o qual, em doses moderadas, contribui para que ele reflita sobre os diversos aspectos da realidade e objetive tornar a sua existência mais segura e satisfatória.

De modo simplificado, as crenças são frutos de experiências — nossas e/ou de outras pessoas — as quais geram sentimentos e pensamentos.

O centro da nossa existência são os sentimentos. É a partir deles que escolhemos as atividades que irão, quase sempre, confirmá-los.

As nossas emoções negativas são, basicamente, medo, raiva e tristeza. Enquanto as positivas são, respectivamente, segurança, amor e alegria.

O controle é a atitude de alguém que tem sua vida guiada pelas emoções negativas.

A entrega é o comportamento de quem se orienta pelas emoções positivas, a qual não pode ser confundida com submissão e rendição, mas como aceitação e gratidão de tudo que a vida lhe oferece, potencializando a sua ação no mundo com foco no outro e não na sua satisfação pessoal.

Quando alguém sente — leia-se, acredita — que um ambiente, um acontecimento, um indivíduo é hostil, sua energia é prioritariamente alocada para a sua segurança.

Penso que, de modo geral, uma pessoa ansiosa é profundamente medrosa, insegura. Ela não acredita que é capaz de resolver, da forma possível, as situações que poderão aparecer — ou seja, não confia em si e, consequentemente, nas outras pessoas, bem como no poder do Amor — por isso tenta, inutilmente e doentemente, controlar o mundo, que existe, na sua fantasia, para atender os seus caprichos.

Qualquer sombra, cheiro ou som diferente que, de alguma forma, lembre algo que tenha gerado frutos desagradáveis no passado, pode acionar o seu instinto de lutar ou fugir, propiciando-lhe, se optar pela segunda, se afastar rapidamente do suposto perigo.

Após cada ocorrência, seu temor aumenta e confirma a sua crença de que ela precisa realmente estar sempre alerta. Suas sensibilidade e resposta — corporal e verbal — tornam-se cada vez mais rápidas!

Não é difícil imaginar o resultado disso após alguns anos…

A nossa interpretação do mundo, que se expressa em ações e discursos, tende a confirmar as nossas emoções, as quais não podem ser extirpadas, apenas transmutadas, se forem identificadas, num processo lento e fascinante.

Creio, contudo, que os nossos sentimentos podem ser sufocados ou negados, mas continuam dirigindo a nossa vida…

As consequências dessa repressão são nefastas, pois só ampliam a ebulição desse caldeirão!

O aumento exponencial, em todo o mundo, das doenças de natureza psicológica confirmam o equívoco e o perigo dessa atitude.

O medo, portanto, impulsiona a pessoa a, de um lado, querer dominar tudo que lhe cerca, e, do outro, a se isolar.

Essa afirmação, caso proceda, não é suficiente para mudar quem deseja, pois a dinâmica entre ação, sentimento e pensamento é muito poderosa e sutil, conforme atestam as descobertas das últimas décadas quanto à composição química do Homem, que revelam, aos poucos, o intrincado funcionamento das glândulas e seus respectivos hormônios na qualidade da nossa vida.

É importante compreender e aceitar que os aspectos motores, afetivos, cognitivos e espirituais são intimamente relacionados.

O desafio, portanto, de cada um de nós é, a cada segundo, migrar da hostilidade à hospitalidade!

Fonte:cronicadodia.com

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